segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

Vinícius de Moares

2 comentários:

  1. E a vida seguiu seu curso...
    com novos encontros,com outras separações;
    que poeta maravilhoso é Vinicius.
    Beijos

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  2. A saudade, é a maneira que temos, de estarmos perto, de quem está distante.
    Bjux

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